O dia começou com Si Fu e Si Mo saindo cedo. Ficamos sozinhos em casa e mantivemos nossa rotina matinal.
Treinamos bastante até a hora em que bateu fome. Comemos, fomos ao mercado e depois, fui com Antônio pegar o Si Fu na rua enquanto o Silva adiantava o almoço.
O período da manhã foi muito legal. Estar sozinho com os irmãos evidenciou a vontade de treinar, mesmo longe dos olhos do Si Fu. Nossa proposta foi tentar seguir o trabalho de usar o braço cada vez mais como uma ferramenta de percepção e não como uma barreira.
Silva fez caldo verde e macarrão e ficou delicioso. Depois do almoço, sentamos para ver vídeos do YouTube, tiramos uma siesta e fomos apresentar ao Antônio às praias de Lido e Siesta.
Chegando nas praias, que são bem diferentes das praias brasileiras, treinamos na beira da água e no fundo da praia. Sentir a areia, ouvir as gaivotas e ver o Sol se pôr formaram a moldura das nossas sequências e do nosso chi sau. Si Fu comentou sobre apreciar o momento e reconhecer o quão único aquilo tudo era. Fizemos as sequências lentamente, curtindo o vento.
Durante o treino, aproveitei para rolar braço com o meu grande irmão, Thiago Silva. Esse é sempre um grande momento. Si Fu pediu que focássemos em fechar a base. Eu pessoalmente aproveitei para tentar dar um passo bem rápido e diminuir o tempo com o pé no ar.
Acho que não consegui bem aderir à proposta, mas me esforcei para tentar me reeducar.
Voltamos para casa, comemos e Si Fu dividiu conosco alguns passos planejados para o universo Hybris. Durante algum tempo, ficamos conversando sobre jogos. No raso, lembramos de experiências e de jogos jogados, mas na segunda camada, estávamos pensando em possibilidades, na essência de cada tipo de jogo e em suas mecânicas.
Sobre esse assunto, Si Fu comentou mais uma vez sobre o conceito grego de hybris e seus efeitos. Esse é um tema que sempre me coloca para pensar. Qual a medida adequada? Como não ser vítima de nossa "melhor" característica?
É óbvio que não há resposta para isso. O melhor que posso fazer é sempre estar atento e corrigir qualquer problema no momento em que se apresentar. De alguma forma, o chi sau trabalha como a nossa própria hybris. O quanto podemos comprometer? Qual o custo de cada decisão? Que sorte que ainda tenho uns anos pela frente para pensar nisso.
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Carlos Antunes
梅 山 士
Moy Shan Si