O sétimo dia da imersão foi permeado pela conexão através da fala e da escuta. Pela manhã, tivemos um mini colóquio apenas com os participantes presenciais da imersão, em que os temas apresentados puderam ser refletidos e analisados com bastante profundidade. O cenário escolhido foi mais uma das belas paisagens da Flórida.
À tarde, um colóquio mais amplo, com os discípulos e praticantes do Brasil, com expressiva participação da família Kung Fu.
Dos diversos assuntos abordados por Si Fu, ficou na minha mente o posicionamento a ser dado ao sistema Ving Tsun no processo de desenvolvimento do Kung Fu pessoal - o de ser um meio, que não deve sobrepujar a finalidade essencial de todo o trabalho: o aprimoramento pessoal e relacional dos praticantes. Os elementos do sistema podem ser testados e questionados no processo de desenvolvimento do Kung Fu pessoal, mas deve haver um respeito aos fundamentos no processo de transmissão, para não comprometer o legado. Adotar uma abordagem mais conservadora ou ousada não deve ser uma atitude exclusivista - um ou outro - mas complementar, como forma de enriquecer o processo. Entre o risco de “corromper” o sistema e “corromper” a relação, o primeiro ainda é preferível, pois, caso ocorra, ainda haverá uma relação onde se possa corrigir o rumo. O comprometimento da relação, ao contrário, impede qualquer movimento relativo ao sistema. Isso nos leva a sempre prestar atenção, primeiramente, na qualidade e sanidade da relação.
Também merece destaque, do colóquio da tarde, a habilidade de Si Fu em concatenar os temas mais distintos, fazendo pontes entre eles para transformar o que seriam várias respostas em uma única explanação. É uma habilidade muito interessante de desenvolver, como meio para conectar pessoas e temas e, com isso, projetar uma dimensão familiar em todas as discussões, fazendo a família andar sintonizada.
--
Antônio Henrique
梅 安 通
Moy On Tung