Depois de muito tempo sem sonhar, nessa noite eu sonhei que estava com Si Fu e sisuk Úrsula na sala e a sisuk ia me falar o segredo do Ving Tsun.
Ela me disse que o segredo era ter uma pequena intenção, olhar com cuidado para a questão e manter o foco, como uma bússola que sempre aponta para o norte.
Acordei com o despertador e fui para a área da piscina. A noite de ontem foi intensa para mim e eu estava cheio de ideias na cabeça. Em cada sequência que eu fazia, me preocupei em manter consciência profunda de ambos os braços.
Siu nim tau, cham kiu e biu ji oferecem experiências muito diferentes para essa proposta e eu me esforcei para conseguir viver a natureza e a singularidade de cada domínio.
Treinamos um pouco de chi geuk até Si Fu avisar que ele e Si Mo precisariam sair. Depois que eles saíram, tomamos café e treinamos um pouco.
Assim que o cansaço bateu e os irmãos pediram para descansar, fui para o quarto testar alguns movimentos com as facas que ainda estavam frescos na minha cabeça.
Si Fu entrou e começamos a conversar sobre os momentos da noite anterior. A conversa continuou e tive um daqueles momentos especiais em que pude ouvir e falar a sós com Si Fu.
Si Fu me lembrou de uma parábola chinesa na qual um monge, quase caindo de um precipício, aproveita o momento para comer e apreciar uma fruta, aceitando totalmente seu destino.
Mais tarde, decidimos dar uma modificada no sistema de iluminação da piscina e enquanto o Antônio cuidava de prender as luzes de baixo, eu fui fixar uns varais de luzes na parte externa da cage.
Por algum tempo, eu estava totalmente focado, fixando lâmpadas, mas num dado momento, no alto da escada, eu ouvi um barulho estranho de pássaro e busquei no céu. Vi um céu lindo, com o sol começando a querer partir, um lago calmo, que parecia um espelho, um vizinho distante que pescava em pé e me senti como o monge.
Obviamente, eu não estava em nenhuma situação crítica, mas tinha uma fruta ali e por muitos minutos eu não conseguia nem perceber.
Terminada a questão das luzes, fomos trabalhar energia do chi sau com Antônio, tentando usar o braço como radar, não como uma barreira. Esse é um trabalho específico que eu associo muito ao meu Si Fu. Ele é difícil, mas sempre muito bacana de executar.
Jantamos, conversamos e decidimos dormir. Mesmo bastante cansado, sentei com meu kai siu yan, Thiago Silva, e ficamos por hora trocando experiências. A vida nem sempre é calma, mas pelas coisas que passamos, momentos que vivemos e soluções que encontramos, vimos que nossos kung fu têm muita coisa em comum.
Fui dormir feliz.
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Carlos Antunes
梅 山 士
Moy Shan Si