O quinto dia de imersão proporcionou, em diversos momentos, uma sensação de início, de realizar determinada atividade como um principiante. Essa mesma experiência foi causa de entusiasmo e frustração em momentos diferentes do dia.

Pela manhã, eu estava responsável por preparar o almoço. Era a primeira vez que eu preparava uma refeição completa para 5 pessoas. Desde o Brasil, eu já vinha me preocupando com a atividade, desde a escolha do prato até a medida de quantidade, a adaptação ao sistema métrico diferente, a eventual necessidade de substituição de ingredientes que não são encontrados facilmente por aqui. Todas essas dificuldades certamente ocorreram, mas consegui contorna-las por tê-las prefigurado. Acabou sendo uma refeição muito bem sucedida e satisfatória para todos, o que me deixou muito feliz e satisfeito com minha performance. 

À noite, Si Fu propôs uma atividade em que eu deveria descobrir o potencial que existe na fraqueza. Pontuou que eu deveria abandonar a resistência pela força aos ataques para que eu pudesse me aproveitar desse ataque em meu favor. Isso mudou completamente meu registro desses sete anos de prática, em que minha reação era de resistir ao máximo e desesperar quando a situação piorava. Ao abdicar desse caminho em prol de um caminho novo, senti-me novamente um principiante no Ving Tsun. O “vazio” que ficou quando eu deixei de resistir para tentar “ler” o adversário me causou muita frustração quando eu me descobri um “analfabeto” nesse quesito, dando uma impressão de inutilidade da minha prática até o momento.

Na verdade, eu já tinha ouvido falar em Sau Po Lei há muito tempo, mas somente agora estou tentando por em prática a ideia de aceitar a situação, processa-la e devolver algo melhor. 

Por tudo isso, os começos e recomeços nos desafiam a apreciar cada situação como oportunidade de aprendizado, que se torna mais proveitoso e prazeroso pela atitude acolhedora e paciente de Si Fu e dos irmãos Kung Fu.

--

Antônio Henrique

梅 安 通

Moy On Tung